Os imperativos de mudança fazem com que as empresas explorem novas formas de liderança que as permitam acompanhar essa transformação em todos os níveis. Num contexto em que as organizações apelam à diversidade e inclusão como drivers do seu propósito e da sua produtividade, a função do Diretor Financeiro (CFO) tornou-se ainda mais central para atingir esse objetivo.
De financeiro a líder estratégico, as novas exigências para esta função prendem-se com os desafios das empresas face à transformação digital, à alteração das formas de trabalho, ao desenvolvimento e gestão do talento ou à resposta perante a comunidade ou a sociedade em geral. E, o que se espera do atual CFO? No fundo, que seja um agente de mudança, com uma capacidade de compreensão da estratégia de negócio, contribuindo com insights, criando ideias e metodologias e trabalhando com stakeholders tanto a nível interno como externo, para proporcionar mais valor à sua organização.
Atualmente, para liderar a transformação, o CFO tem de ser mais do que financeiro e analista, pois a digitalização e a automatização estão a redefinir o ambiente de trabalho de grande parte das organizações exigindo estratégias e modelos de gestão inovadores. Neste atual contexto, em que o domínio de novas competências é cada vez mais importante assim como a construção da confiança – considerada como uma importante commoditie na era digital –, espera-se que o CFO tenha uma postura de liderança, devido à sua posição única. Uma das novas funções do CFO é a de criar confiança nas organizações, abordando as atuais preocupações como segurança informática, enquanto mantem o seu papel de “consciência” do negócio.
Focado na saúde financeira da empresa, o responsável financeiro pode utilizar essa experiência para criar valor de forma a desafiar os atuais modelos de funcionamento e moldar as prioridades para os modelos do futuro. Posicionado na junção das finanças, estratégia, IT e compliance, o papel do CFO é agora mais complexo e crucial do que alguma vez foi tendo acabado o tempo em que trabalhava numa bolha. No ambiente de rápida transformação, o trabalho do CFO deve ir além dos números, e desenvolver competências interpessoais, estratégias de liderança e conhecimento digital.
Entre outros atuais desafios que se colocam, destaca-se a necessidade de os responsáveis financeiros abraçarem a disrupção que incide tanto no impacto a curto como a longo prazo, para conduzirem as empresas ao sucesso. O CFO que possa pensar para além da vertente estritamente financeira e contribuir ativamente para essa mudança genuína, é o que vai ser reconhecido como líder transformacional, e certamente pago a peso de ouro.

Por: José Marcelino, Consultant Finance na Michael Page
