Abrandar para pensar e acelerar para agir


Sophie Devonshire é autora do livro Superfast: Lead at Speed e especialista em aceleração de negócios. Na qualidade de CEO da The Caffeine Partnership, Sophie já ajudou na aceleração do crescimento de inúmeras startups e empresas globais, incluindo a Farfetch, Procter & Gamble, Interbrand, Leo Brunett e Coca-Cola.
No Business Transformation Summit, que decorreu nos dias 30 e 31 de outubro, na Lx Factory, em Lisboa, Sophie Devonshire liderou o acceleration workshop Superfast – How to Set the Pace and Lead in a World of Speed.

Qual é a diferença entre “liderar” e “gerir” num mundo em rápida transformação?

Sophie Devonshire (SD): Liderar é uma escolha consciente para agir – não se trata apenas de “lidar” com a loucura, nem de geri-la. Trata-se de decidir que queremos prosperar, não apenas sobreviver, e que estamos dispostos a fazer algo para que isso aconteça. É também uma questão de saber como “marcar o ritmo”, saber como definir o ritmo certo para nós, para a nossa equipa e para a nossa organização. Os líderes do século XXI precisam de ser capazes de criar organizações que sejam extremamente responsivas (que se movem rapidamente para aproveitar as oportunidades), mas que também sejam responsáveis pela forma como constroem o mundo de amanhã e pela forma como gerem a energia das suas equipas, da sua organização e de si mesmas.

Num mundo “super-rápido”, como é que os líderes são capazes de lidar com o equilíbrio entre a sua vida pessoal e profissional?

SD: Entrevistei mais de cem líderes globais bem-sucedidos dos mais diferentes tipos de indústrias para o livro Superfast: Lead at Speed, e a maioria sentia-se desconfortável com a expressão “equilíbrio entre vida pessoal e profissional”. Para alguns, isso soava muito negativo (entendemos o trabalho como algo oposto à nossa vida pessoal?!); para outros, parecia irrealista. Para pessoas ambiciosas, num mundo em constante aceleração, a ideia desta “harmonia” não é de todo alcançável. Inclusivamente, alguns acreditam que é impossível separar o pessoal do profissional de forma tão extrema. Outros concentraram-se em fazer com que o seu dia-a-dia reflita apenas o que realmente importa, para que a energia possa ser alocada em mais do que e-mails e reuniões. Podemos afirmar que há, sem dúvida, um perigo eminente na força de trabalho atual, que corre o risco de sentir-se sobrecarregada e perder esta preciosa energia.

Quais são os principais desafios e qualidades que esta nova geração tem ao seu dispor para liderar a alta velocidade?

SD: Essa é uma grande questão! Os desafios incluem a necessidade de acelerar e a impaciência que agora vemos por parte de acionistas, clientes e até dentro de nós mesmos. Queremos que as coisas aconteçam rapidamente. Mas, ao mesmo tempo, queremos também construir um ambiente de trabalho positivo e um mundo de trabalho positivo – entregar hoje para construir amanhã. Os grandes líderes são neste momento “marcadores de passo”; eles sabem quando abrandar para pensar e quando acelerar para agir.

Como podem os líderes acelerar a sua própria velocidade e ajudar a acelerar a velocidade dos demais?

SD: Primeiro, é preciso fazer uma pausa. Fazer pausas estratégicas para planear, rever, pensar e descansar. Ter como objetivo a velocidade e não apenas a rapidez. A velocidade é a rapidez na direção certa e os líderes precisam definir uma direção clara e convincente. Na The Caffeine Partnership trabalhamos com os líderes na articulação dos seus propósitos organizacionais e ajudamo-los a alinhar os seus negócios assentes nesses propósitos. É caso para dizer que o propósito impulsiona o ritmo.

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