Em preparação para as férias… refletir (e agir) sobre as competências necessárias


Parece que o verão tarda em chegar… enquanto não chega, aproveitemos para nos preparar a nós e aos colaboradores das nossas organizações para uma rentrée em grande! É que se o verão chega a um ritmo lento, a mudança não, e urge percebê-la e prepararmo-nos para ela.

Todos nós, a nível profissional nas nossas organizações, e também a nível pessoal, utilizamos diferentes estratégias e fontes de informação para irmos percebendo que competências são necessárias hoje e num futuro próximo, e que competências temos, refletindo sobre quais as que precisamos de desenvolver, melhorar, adquirir, externalizar, etc.

E é nestas horas de reflexão que importa não esquecer o que nos dizem os estudos elaborados sobre estas matérias. E são muitos os estudos e relatórios existentes!

Traria à vossa reflexão apenas quatro: um de caráter mais global e três de caráter setorial, focados nos setores do comércio e dos serviços, dois setores vitais para a economia nacional e aos quais o CECOA se dedica.

O relatório “The Future of Jobs” lançado no âmbito do Fórum Económico Mundial em 2016 analisa o impacto das mudanças em curso, no âmbito do que designam de Quarta Revolução Industrial – no entender do relatório, de natureza disruptiva –, no emprego, nas competências e nos padrões de recrutamento futuros, em diferentes setores e áreas geográficas. Na síntese das conclusões do estudo pode ler-se que “a Quarta Revolução Industrial causará uma disrupção generalizada não apenas nos modelos de negócios, mas também nos mercados de trabalho nos próximos cinco anos, com enormes mudanças previstas no conjunto de competências necessárias para prosperar nesta nova paisagem”.

Sinteticamente, o estudo aponta as seguintes dez competências como imprescindíveis em 2020:

      1. Resolução de problemas complexos
      2. Pensamento crítico
      3. Criatividade
      4. Gestão de pessoas
      5. Coordenar-se com outros
      6. Inteligência emocional
      7. Tomada de decisão e discernimento
      8. Orientação para o serviço
      9. Negociação
      10. Flexibilidade cognitiva

Dá que pensar, não? Estamos ou não devidamente apetrechados destas competências imprescindíveis?

Diz ainda este estudo que o tipo de mudanças que vai ocorrer varia de setor para setor e, por conseguinte, as necessidades de competências também.

Por exemplo, refere que os profissionais que trabalham em vendas vão precisar, para além das anteriores competências gerais, de competências em literacia tecnológica, o que dá o mote para os outros estudos de caráter setorial que gostaria de vos deixar como “instrumento de reflexão de férias”.

Assim, e de acordo com o estudo de 2015 “Défice de Competências no Setor do Comércio”, levado a cabo no âmbito do projeto ALL-ECOM – Sector Skills Alliance to set European standards for qualifications and skills in the e-commerce sector, a digitalização do setor do comércio exige competências digitais e tecnológicas, mas, acima de tudo, competências comportamentais ou “atitudinais” como classifica o estudo.

Esta necessidade de competências de natureza comportamental (muitas vezes, identificadas, como soft skills) é corroborada pelo estudo setorial de 2017 “Labour market analysis in the commerce sector: which are the key challenges and factors of change?” da EUROCOMMERCE e da UNIEUROPA, ao referir que “haverá um aumento crescente da procura de trabalhadores especializados com fortes competências de relacionamento interpessoal”. Já o estudo de 2017 da CCP “Business Services Centers em Portugal”, afirma que o crescimento das empresas de serviços em Portugal é “limitado pela oferta de ativos físicos e a disponibilidade/competências técnicas dos recursos humanos qualificados, sobretudo em algumas línguas (como o francês, alemão e mandarim) e áreas de TI, engenharias e digital”.

Os clientes do CECOA parecem já ter percebido as necessidades em matéria de desenvolvimento de competências que os desafios da Quarta Revolução Industrial colocam, já que mais de 35% dos projetos de formação realizados em prestação de serviços, nos últimos três anos, são na área comportamental, cobrindo, em boa medida, as dez competências consideradas imprescindíveis pelo Fórum Económico Mundial.

E o CECOA também procura estar atento a estas tendências no desenvolvimento do seu plano de formação, nomeadamente no seu plano de formação contínua pensado especialmente para os profissionais das organizações.

Boas leituras e reflexões! E já sabe, enquanto o verão não chega, prepare-se! Consulte o plano de formação do CECOA e faça planos para a rentrée.

Por: Cristina Dimas, coordenadora da unidade inovação & negócios do CECOA

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