Formas de ser

Estou a usar a linguagem, as emoções e o corpo para escrever este texto e o leitor está a ler usando a linguagem, as emoções e o corpo. Agora. Esta é a nossa “forma de ser”.

Tecnologia “para ter” ou “do ser”

Há, atualmente, um grande foco na tecnologia, sobretudo em aparelhos como iPhone, iPad, tablets, etc., sendo frequente esquecermo-nos do principal, o essencial que é o “i”, o “eu”, o “ser”. Contudo, a maior tecnologia que temos – e que usamos constantemente – está na linguagem, nas emoções e no corpo: o “ser”. Sem estarmos conscientes desta base e sabermos como utilizar o que já temos, podemos acrescentar tecnologia externa que será, todavia, limitada no seu uso.

Muitas abordagens da mudança são focadas ao nível do comportamento ou dos conteúdos. Estes são aspetos importantes. Ainda assim, sem considerar o indivíduo que as usa, podem ser inúteis e por vezes prejudiciais. O conhecimento apenas serve quando interiorizado, assumido e aplicado.

É crucial rever os caminhos que a cultura humana está a tomar, por ação e por omissão. Temos cada vez mais informação que se multiplica a cada dia. Estamos supostamente mais ligados. Contudo, o que assistimos é que essa ligação é virtual, pois observamos uma diminuição da quantidade e qualidade das interações entre os seres humanos e entre os seres humanos e a natureza.

Estamo-nos a separar do nosso ecossistema. Assistimos e participamos na deterioração do nosso meio ambiente e do clima em que vivemos. A extinção rápida das espécies animais e a poluição em grande escala são algumas das consequências devastadoras das escolhas da humanidade.

Há uma crença cultural em expansão de que uma maior quantidade de bens materiais vai trazer mais segurança e felicidade. E que mais informação vai trazer mais sabedoria. A procura e expansão constante e frenética de mais informação leva a uma relação material com o mundo, com nós próprios e com os outros. É importante transcender o conhecimento conceptual e voltar às emoções, ao cuidar do eu, dos outros, a nível físico, mental, emocional e relacional, respeitando o meu “ser” e o ecossistema.

Aprendizagem transformacional

A aprendizagem transformacional, usando o coaching do “ser”, representa uma mudança que permite gerar uma nova perspetiva; um novo observador que seja capaz e consciente dos limites da aprendizagem conceptual e de explorar novas ações para produzir novos resultados que cuidem tanto do indivíduo, como do coletivo.

Experimentei e observei muitos estilos diferentes de coaching, abordagens e técnicas com alguns dos coaches mais experientes do mundo. Algumas abordagens destacam-se devido aos resultados significativos e sustentáveis na minha vida, relacionamentos e coaching. Uma abordagem para a aprendizagem transformacional é o coaching ontológico.

O que é coaching ontológico?

Ontologia é o estudo do “ser”, pelo que o coaching ontológico apoia e desafia o indivíduo a uma reflexão sobre quem ele é.

A “forma de ser” é uma inter-relação dinâmica entre três áreas da existência humana – linguagem, emoções e corpo. O coaching usando a linguagem, as emoções e o corpo tem o potencial de ser transformador, pois pode gerar aprendizagem profunda e mudança construtiva:

      • Linguagem
        A ontologia usa a premissa de que a linguagem é um processo que gera realidade; os seres humanos são seres linguísticos que continuamente criam o que é real para si pelas formas específicas de linguagem que usam e não usam.
        Observe que linguagem está a usar ao ler isto, incluindo as palavras e pensamentos que lhe ocorrem.
      • Emoções
        As emoções moldam a nossa forma de ser e a nossa capacidade de ação. As emoções predispõem-nos a agir ou não, e de maneiras diferentes. Se a emoção for gratidão vou agir e falar de maneira diferente do que, por exemplo, se sentir ressentimento. O poder das emoções para moldar continuamente a perceção e o comportamento é a essência do nosso bem-estar, ou mal estar, e a base dos nossos relacionamentos.
        Observe a sua emoção neste momento.
      • Corpo
        O corpo (postura, movimento, tensão muscular e respiração) é crucial na perceção, aprendizagem e mudança. Sentimentos de longo prazo e crenças inúteis são incorporados (armazenados e codificados no corpo). A mudança pode acontecer a um nível intelectual e será sustentável quando o corpo mudar.
        Observe a sua postura, movimento, tensões musculares e respiração, agora.

Um coach do “ser” pode apoiar e desafiar, desenvolvendo formas diferentes de usar a linguagem, as emoções e o corpo para gerar uma realidade mais construtiva, ou seja, “formas de ser”.

Por: André Ribeiro, coach executivo e de equipas

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