Liderar na era da intuição

A “era da informação” já foi. Estamos, agora, a atravessar a “era da intuição”. O que vivemos é uma verdadeira revolução e não apenas uma simples mudança, adaptação ou transformação. Esqueça os sinónimos e os clichês da atualidade. A conectividade espiritual e a inteligência intuitiva são apontadas como duas das principais características a desenvolver pelos líderes do século XXI.

Tem sido crescente o número de pesquisas científicas em áreas que estudam a liderança e o comportamento dos líderes, destacando a importância dos ritmos humanos e da influência da espiritualidade no mundo dos negócios e no universo corporativo. Adaptar-se a este mundo volátil e incerto já não é apenas uma opção para as organizações. Por este motivo, nos últimos anos, a palavra engagement entrou no léxico comum dos gestores portugueses.

Mas afinal o que significa isso de se querer (e de se conseguir) alcançar o “compromisso dos colaboradores”?

Significa que apenas há um caminho: partilhar informação correta, de forma assertiva, com todas as partes interessadas e no momento certo, garantindo que existe clareza, transparência, integridade e singularidade, para que todos se sintam, unanimemente, alinhados com o propósito, missão, visão e valores da organização.

A comunicação é decisiva para a criação de compromisso e sentimento de pertença. Logo, a comunicação interna é fundamental para a construção e desenvolvimento daquele que é o sentimento mais importante num contexto organizacional: a confiança no clima comunicacional. Ora, para que tal aconteça é necessário atribuir um significado comum e, para tal, há que confiar nas equipas criativas que, habitualmente, lideram a comunicação organizacional, nas perspetivas: externa e interna. Independentemente do “significado” que a organização pretende que se torne “comum”, este tem sempre de ser construído de forma interdependente e co-criativamente, envolvendo todos os elementos da organização.

O clima comunicacional pode ser definido como o ambiente dinâmico onde a comunicação e a criatividade acontecem, de forma orgânica, diariamente. Esta condição é influenciada pela cultura organizacional, pelas formas de gestão de conflitos, pelas atitudes e comportamentos dos líderes de topo e pelos sistemas de comunicação (formais e informais) das próprias organizações. Neste contexto, qualquer clima comunicacional é influenciado a nível psicológico (individual), sociológico (organizacional) e moral (coletivo). Podemos dizer, de forma mais elementar, que se trata da perceção que os colaboradores produzem sobre “a organização como um todo”, seja ela localizada numa pequena repartição, ou estabelecida em centenas de escritórios espalhados por várias regiões, em todo o mundo.

Este entendimento tem vindo a ser estudado como um elemento decisivo no aumento da identificação e compromisso dos colaboradores com as organizações em que trabalham. Olhando para o panorama nacional, muitas das nossas empresas estão agora a despertar para os desafios da transformação digital. Por isso, dirijo-me aos gestores de topo: “transformar” significa: dar nova forma; modificar; metamorfosear; renovar; transmutar; transfazer…

Ter o privilégio de dirigir uma organização que possua a capacidade de o fazer não está ao alcance de todos. Mas, para que tal ocorra, de forma bem-sucedida, é crítico saber liderar equipas criativas. Liderar pessoas criativas é uma tarefa que só tem dois caminhos: 1) o sucesso; ou 2) o pesadelo.

É crucial saber estar à altura do desafio, de forma inovadora, coerente, inspiradora e adaptada a estes “novos” tempos. Esqueçam as formas de gestão e liderança tradicionais. Os ditos “criativos” pensam, agem, procedem e fazem diferente. Estas equipas servem, simultaneamente, para criar ordem e desordem. No quotidiano organizacional podem gerar paradoxos gigantes, pois são estas equipas que, habitualmente, “saem das caixas” e, por isso, correm o risco de serem incompreendidas. Entendam-nas como as equipas “rebeldes, por natureza”.

Os líderes de topo das organizações mais influentes do mundo já sabem que a comunicação efetiva, a ética e a inteligência intuitiva são críticas para alcançar o sucesso e o dito engagement das suas equipas criativas. A maioria destes “grandes líderes” estão apenas focados nas dimensões que só os humanos conseguem praticar: pensar criativamente, partilhar as próprias emoções, interagir com outros seres humanos com senso de liderança espiritual, atitude confiável e demonstrando sempre inteligência emocional, moral, social e intuitiva. Estes são atributos humanos, que nenhum robô ou algoritmo pode replicar.

Por Vânia Guerreiro, Diretora de Marketing e Comunicação da iServices

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