Escolha de universidade e curso superior reproduz desigualdades socioeconómicas

A Fundação Belmiro de Azevedo acaba de revelar, num estudo, que os alunos das classes mais favorecidas estão em cursos de maior prestígio e com notas de acesso mais altas, como Medicina, Direito e Engenharias, enquanto que os alunos com maiores dificuldades inscrevem-se sobretudo nos politécnicos, o que demonstra que as desigualdades socioeconómicas continuam a dominar a escolha do curso e do estabelecimento de ensino.

O documento A Equidade no Acesso ao Ensino Superior analisa dois indicadores (as qualificações dos pais e mães dos estudantes e a percentagem de alunos que recebem bolsas de ação social – que são, em norma, os mais desfavorecidos – em cada curso) e chega à conclusão que os alunos mais pobres não conseguem entrar nos cursos que exigem notas mais altas e estudam, na maioria dos casos, nos institutos politécnicos.

A área da Saúde é um dos exemplos mais claros desta seletividade socioeconómica no acesso aos cursos, uma vez que 73,2% dos estudantes de Medicina são filhos de pais e mães que concluíram o ensino superior, ao passo que 73% dos de enfermagem – sobretudo nos politécnicos – são filhos de pais com qualificações inferiores, com ensino secundário ou menos.

Ainda nesta área, o número de bolseiros de ação social em cada curso superior confirma esta perceção, pois apenas 15% dos estudantes inscritos em Medicina vêm de agregados familiares mais pobres. Em sentido inverso, 40,4% dos alunos de Enfermagem recebem apoio do Estado para estudar.

O estudo revela, ainda, que os estudantes oriundos de famílias com menor formação dominam os cursos de Educação e Ciências Empresariais. Já os estudantes de famílias com níveis de escolaridade mais altos optam pelas universidades em detrimento dos politécnicos e dominam os cursos de Medicina e Engenharias. Nestes dois cursos, o número de bolseiros é, por norma, baixo.

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