
O festival internacional de piano FIPOeiras volta a integrar a agenda musical do concelho de Oeiras, com concertos agendados já a partir do próximo domingo, dia 23 de junho.
Para Rui Pereira, professor universitário e presidente da Academia de Música Flor da Murta, entidade responsável pela organização do festival, é essencial “promover a música erudita junto de públicos diversificados, associando-a a causas humanitárias”.
Como surgiu a Academia de Música Flor da Murta e que trabalho tem sido promovido na área da música?
Rui Pereira (RP): A Academia reúne pessoas ligadas à Música, como a diretora artística Teresa da Palma Pereira e o presidente do conselho científico Mário Vieira de Carvalho, ao Teatro (Carlos Fragateiro e Maria Helena Serôdio), ao Cinema (Lauro António), à Historia da Arte (Laura Afonso), às Empresas (Carlos Miguel Gonçalves), à Política (Dalila Araújo) e ao Direito (Fernanda Palma, Vanessa Pelerigo e Virgílio Teixeira), num universo de fundadores e sócios muito variado. Temos como ex-libris o FIPOeiras, que vai arrancar já a 23 de junho, domingo, às 18 horas, com Teresa da Palma Pereira, no Auditório Ruy de Carvalho, em Carnaxide, mas já organizámos iniciativas com a APAV, o IAC, o CPR e o SEF. Pretendemos promover a música erudita junto de públicos diversificados, associando-a a causas humanitárias.
Com que intuito foi realizada a primeira edição do FIPOeiras e que impacto teve?
RP: Na primeira edição, trouxemos ao Concelho de Oeiras pianistas de renome, com o imprescindível apoio da Câmara Municipal. Para além de Teresa da Palma Pereira, que a par da atividade concertística realizou um doutoramento sobre Robert Schumannn, contámos com Piotr Anderszewski, pianista polaco (naturalizado português) reconhecido como um dos mais virtuosos do mundo, Jan Michiels, reputado pianista e investigador belga, Jeffrey Swann, consagrado pianista norte-americano, e António Rosado, um dos melhores pianistas portugueses.
O festival compreendeu também masterclasses, um concurso para jovens pianistas, com recital, e uma homenagem a Mário Vieira de Carvalho, ex-secretário de Estado da Cultura, professor e investigador, pelo seu valioso contributo no domínio da música erudita.
O que podemos esperar dos seis concertos agendados para esta segunda edição do festival?
RP: A nossa ambição é melhorar em relação à primeira edição. Mantemos Piotr Anderszenwski (o que é um privilégio), Jan Michiels e Teresa da Palma Pereira, mas vamos trazer a Portugal Irit Rub, uma das melhores pianistas de Israel, responsável por um programa de extensão comunitária, Grigory Gruzman, renomado pianista russo e professor em Weimar, e Jorge Moyano, um dos mais prestigiados pianistas portugueses e professor da Escola Superior de Música de Lisboa. Os recitais estendem-se até 28 de julho, sempre aos domingos, às 18 horas, no Auditório Ruy de Carvalho.
Promoveremos masterclasses com quatro dos concertistas, com o objetivo de orientar jovens pianistas, e homenagearemos uma personalidade ligada à Música, cuja identidade não vamos ainda revelar. Será uma boa surpresa…
Referiu as masterclasses para jovens pianistas e alunos avançados de escolas portuguesas e estrangeiras, que vão decorrer no Palácio Flor de Murta. A componente de formação das novas gerações de artistas é primordial para a Academia?
RP: A formação musical e a formação de jovens pianistas são desígnios estratégicos para a Academia de Música Flor da Murta, mas também para Portugal. Não nos podemos esquecer do enorme défice do nosso país no domínio da Educação: na década de 70 do século passado, tínhamos uma taxa de analfabetismo superior a 30% e, mesmo hoje, continuamos a exibir níveis de iliteracia inaceitáveis.
É uma ilusão pensar que o desenvolvimento e a justiça social são independentes da Educação e da Cultura. Para o compreendermos, basta verificar, olhando para o mapa da Europa, que os Estados mais desenvolvidos economicamente são, “por coincidência”, os mais evoluídos no domínio da música erudita, da arte em geral e da filosofia.
