
Em 1998, a Islândia decidiu enfrentar um problema sério: o excesso de consumo de álcool pelos seus adolescentes. Como observou um habitante de Reiquejavique, o caso era tão sério que sair no centro da cidade sexta-feira à noite era perigoso por causa das hordas de jovens embriagados que ali pululavam. O país iniciou então uma série de medidas destinadas a resolver o problema: proibiu a venda de bebidas a jovens abaixo dos 20 anos, bem como a venda de tabaco a menores de 18. Grupos de pais assumiram as ruas para, respeitosamente, enviarem para casa os jovens que estivessem na rua depois de determinada hora. E o governo criou programas para incentivar a prática desportiva, as atividades culturais e outras formas de diversão construtivas.
O caso ilustra o argumento de Michele Gelfand, professora na Universidade de Maryland: as sociedades precisam de combinar regras claras (tightness) com alguma tolerância (looseness). Demasiado de um polo gera desequilíbrios indesejáveis.
Esta lente concetual ajuda a perceber a emergência do autodesignado Estado Islâmico no seio do caos iraquiano, o regresso do Egipto à autocracia e muitas outras estranhas ocorrências do mundo moderno. Leitura muito aconselhável esta, num mundo em que os autocratas vão surgindo como alternativa aos libertários. Que os políticos sensatos nos livrem de uns, mas também dos outros.
