Nós sabemos que as mulheres são multifacetadas, flexíveis e, através da sua inteligência emocional, capacitadas para lidar com vários problemas ao mesmo tempo, contudo, elas passam mais do dobro do tempo que os homens em tarefas domésticas. Peritas no trabalho não pago, continuamos a esconder-nos atrás dos cuidados familiares. Mestres no fogão, líderes na organização da roupa e experts nas compras, o tempo não cresce, mas as responsabilidades são cada vez maiores… e nós ESTAMOS EXAUSTAS com tantas tarefas!
Pergunto, se temos uma consulta do filho, porque é que não vai o pai? São eles que não querem ou somos nós que nem sequer colocamos essa hipótese? Quando saem tarde do trabalho já pensaram em dizer: “Amor, apanha a roupa e começa a fazer o jantar que eu vou buscar o menino ao futebol”? Nem pensar! Saímos “loucas” a conduzir na A5 como se estivéssemos no autódromo do Estoril porque estamos atrasadas para qualquer coisa. Estamos sempre atrasadas, ainda vestidas com a roupa do trabalho, agarramos o tacho e começamos a fazer o jantar, ao mesmo tempo que tiramos a roupa da corda e pensamos nos banhos, nos trabalhos de casa dos filhos, nos lanches e almoços do dia seguinte… Quando eles chegam, calmamente, encontram-nos em “modo alucinado” e só perguntam: “Posso ajudar?”. Aí, “salta-nos a tampa” e criamos uma pagina de Excel com a média da nossa infelicidade dos últimos dez anos.
“But today, the world seems to be facing an emotional crisis. Rates of stress, anxiety, and depression are higher than ever. (…) And the focus on turning a profit often overrules a commitment to people, the environment, or society.”
Dalai Lama, na Harvard Business Review
Parece-me que continuamos a ter um problema social que temos de ultrapassar. A verdade é que em Portugal há uma “cultura de bem-estar doméstico”, que resulta da nossa educação, que insiste no brio do trabalho doméstico, da casa perfeita, da comida sempre pronta e dos filhos a brilhar.
Ainda estamos longe da igualdade de género porque a nossa balança está desequilibrada. Nós continuamos a ter muitas horas dedicadas ao trabalho não remunerado e, em média, trabalhamos mais seis horas que os homens. Mais de quatro em cada dez cidadãos europeus acreditam que o papel de uma mulher é cuidar da casa.
Nos casais com filhos com menos de sete anos de idade, as mulheres trabalham, em média, 32 horas por semana no seu emprego e mais 39 horas semanais em trabalho não pago. Enquanto que os homens trabalham 41 horas no seu trabalho e 19 horas no trabalho não remunerado. E sabia que as diferenças salariais entre homens e mulheres podem chegar aos 600 euros brutos mensais em algumas profissões?
Menina, relembra-te dos teus sonhos!
Moça, utiliza a rebeldia para rasgar o paradigma da identidade.
Mulher, é no equilíbrio que vais encontrar a chave para desafios da “nova mulher”.
Está mais do que comprovado que tudo mudou, desde a rotina diária até aos objetivos futuros das mulheres. Devagar, “muito devagarinho”, vamos chegar ao topo, facto é que a liderança e a gestão femininas nas empresas têm vindo a crescer lenta, mas consistentemente.

Por: Catarina Castro de Moura, diretora da TRIBE Agency
