Amamentação e Organizações

Hoje escrevo acerca de uma situação que muitas vezes não pensamos – a relação entre a amamentação e as organizações – porque, por uma razão ou por outra, não precisamos simplesmente de o fazer. Mas quando o assunto nos diz respeito a nós ou a alguém que nós estimamos, essa situação ganha uma dimensão que nos faz ficar em alerta (infelizmente, é assim que muitas vezes nos damos conta de determinadas situações).

A Organização Mundial de Saúde diz-nos que “todas as crianças devem ser amamentadas exclusivamente ao seio materno durante os primeiros seis meses de vida; a partir de então deve introduzir-se gradualmente os alimentos complementares, mantendo-se a amamentação ao seio até pelo menos dois anos de idade”. As vantagens do aleitamento materno são indiscutíveis e profundamente documentadas no que diz respeito ao bebé, à sua família, à mãe e à sociedade.

Uma questão impõe-se: quando as mães regressam ao trabalho, após a licença de maternidade, será que é viável manter a lactação mesmo estando separadas do seu bebé? A resposta óbvia é SIM, no entanto, muitas vezes, isso não se passa, e porquê?

Entre inúmeras razões, uma das mais apontadas é que simplesmente com o retorno da mãe ao trabalho torna-se incomportável o aleitamento materno; não existem espaços nas organizações – com conforto, segurança e privacidade – onde as mães possam extrair e posteriormente conservar o leite de forma adequada. Quem não conhece uma amiga/familiar/colega que tem de fazer este processo num WC com condições bem precárias? É justa esta situação? Claro que não! Amamentar ao seio não é um ato que tenha de ser feito de forma clandestina e marginalizada.

As organizações deveriam ter em atenção esta lacuna, pois suprimindo-a, só saem a ganhar:

  • Retorno ao trabalho, por parte das mães, mais rápido;
  • Colaboradoras mais concentradas;
  • Crianças amamentadas têm menor probabilidade de adoecer, logo menor absentismo;
  • Incentivo a oferecer no recrutamento de potenciais colaboradoras;
  • Menores gastos quer em formação quer em recrutamento;
  • Melhora a imagem da empresa;
  • Contribuiu para uma sociedade mais saudável.

Torne-se uma organização amiga dos bebés. As mães, os bebés, os familiares e a sociedade agradecem, e, repare (como atrás ficou bem explícito), para a organização só advêm benefícios – todos ficam a ganhar!

Por: Ana Pinto, professora universitária e consultora em Recursos Humanos

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