Uma das principais razões para o fascínio decorre da natureza paradoxal e contraditória da liderança. Senão vejamos: as sociedades e as organizações necessitam de líderes. Os líderes rasgam horizontes, empolgam, mostram o mundo de outras maneiras. Os bons líderes libertam oportunidades e energias. Inspiram e dão o exemplo. Mas também podem criar o mundo que não queremos. Para cada utópico existe um distópico. Para cada libertador há um opressor. Para cada aperfeiçoador de instituições há um esvaziador institucional.
A missão da LÍDER é a de contribuir para a discussão da liderança com vista a estimular a liderança inclusiva, responsável e positiva. Defendemos a visão da liderança como um processo de desenvolvimento de pessoas, organizações e instituições. Ou seja, da liderança como alavanca de progresso. Um progresso que não decorre apenas dos atores esperados, mas de toda a sociedade. A boa liderança é multiforme e multipolar. Emerge potencialmente de todos os lados, e enriquece-se na pluralidade e na diversidade.
PARA CUMPRIR A MISSÃO, RECUSAMOS:
- A ideia de que o respeitinho (pelo chefe) é muito bonito, mas enfatizamos o respeito mútuo como ingrediente central da liderança; a noção de que em terra de cegos quem tem olho é rei: a liderança serve para multiplicar talento e não para o abafar;
- A ideia de que a liderança é um processo quasi-genético, que determina que alguns nascem líderes e outros não.
Pretendemos seguir esta orientação de forma independente, promovendo a liberdade e a diversidade, e abrindo a discussão às perspetivas provenientes da ciência, mas também das artes, da tecnologia, do desporto e da sociedade. Mobiliza- -nos o desenho de uma revista despida de academismos, mas informada pelo conhecimento, apaixonada, mas racional, atenta aos grandes movimentos e aos pequenos detalhes. Inspirados em James March vemos neste projeto a boa marca do Quixote: paixão e disciplina. Em frente!

Por: Miguel Pina e Cunha, diretor revista Líder
